Resenha de “Bilionários por acaso – A criação do Facebook”

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Já peguei nesse livro de Ben Mezrich com certo receio. Não era a primeira biografia que eu leria na vida, mas era a primeira que tinha um certo renome, além de já ter se tornado filme. E, como estudante de jornalismo, eu já tinha uma expectativa sobre o que costuma acontecer em histórias da vida real, principalmente quando se fala de casos polêmicos como o que esse livro trara. A tendência é levar a história por um determinado caminho, escolher um posicionamento e criar heróis e vilões. Acontece que a realidade não possui Hércules e Hades, isso existe apenas no mundo da ficção. Essa tendência só surge por um motivo: é mais agradável para o leitor entender a história desta maneira.

Mezrich não foge exatamente dessa fórmula, seu livro possui sim um herói e um vilão. Mas faz isso de forma surpreendente. A história, já conhecida por muitos pelo filme “A Rede Social”, fala do brasileiro Eduardo Saverin que foi traído por seu grande amigo e desenvolvedor do Facebook, Mark Zuckenberg. Acontece que, em uma comparação entre o início e o fim da história, é difícil entender quem é realmente herói e que é vilão. Mark surge como herói no começo, mas ao fim suas atitudes são duvidosas.

Isso acontece porque o autor não se limita a tomar uma posição e defendê-la. Ben Mezrich expõe diversos pontos de vista dessa complexa história e, com êxito, demonstra defesas para todas. Todas as ações que Mark Zuckenberg toma, que para nós, pelo nosso sistema de valores, tendem a ser detestáveis, são defendidas de forma a mostrar o ponto de vista do programador tão acusado de traição. Mas não é por mostrar a defesa que Mezrich deixa de atacar: a opinão de Eduardo Saverin sobre o caso é muito bem exposta. A mesma coisa não acontece com os irmãos Winklevoss, mas eles recebem também o seu tratamento especial.

Já que me refiro a opiniões, quero deixar a minha aqui: Mark Zuckenberg não é exatamente um demônio, como muitos parecem crer. Mark possui habilidades fantásticas e uma determinação igualmente surpreendente. Sua inteligência, seus sonhos, seu potencial, o tornam uma pessoa única, com valores também únicos. A ética parece bobagem diante disso tudo. Não defendo o que ele fez com Eduardo Saverin, mas o entendo, sei da dificuldade que é a realização de um sonho, e que muitas vezes estamos tão fechados para isso que mal percebemos as atitudes que tomamos com aqueles a nossa volta.

O livro é bem claro nesse ponto: Mark Zuckenberg é completamente diferente do que nós chamamos de normal. Uma pessoa atípica, em minha opinião, deve ser olhada de forma diferente. De qualquer jeito, Mark foi líder de uma revolução, e hoje o site criado por ele mudou completamente a forma das pessoas de se relacionarem. Tudo bem, talvez a ideia não tenha sido inteiramente dele, então não lhe cabe todos os créditos. Mas só ele soube fazer o Facebook, e isso já o torna um revolucionário.

Por fim, é preciso salientar que a história do Facebook já é, até certo ponto, conhecida pelo público em geral. Então, se já sabemos o fim do livro, por que motivo continuaríamos lendo? A resposta está na escrita de Mezrich. Obviamente que ele teve o cuidado de não transforma essa história em um texto de revista sensacionalista, com palavras e expressões que buscassem criar uma tensão cada vez maior e prendesse o leitor. Não condeno esse tipo de escrita, é ótima para ficção, mas este é um caso delicado, é a narrativa de uma hitória real. Levar o texto dessa forma poderia estragar tudo. Porém, Mezrich cria tensão de outra forma, lenta e gradualmente, mas igualmente eficaz. Ele cria questionamentos em nossas mentes. Sabemos o que vai acontecer, mas queremos saber o porquê, o como. Não é um livro que nos carrega para o fim, pois o final já é conhecido. É um livro que se alimenta da tensão do meio, das questões, das explicações e opiniões.

 

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